Na noite desta segunda-feira, 24 de agosto, fé, tradição e histórias de diferentes gerações se encontraram no Rancho do Peãozinho durante a 71ª Festa do Peão de Barretos. A tradicional Missa Sertaneja reuniu peões, famílias, visitantes e trabalhadores do Parque em um ato de oração e agradecimento. Nesta edição, a agenda religiosa contou ainda com a presença da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida e uma Procissão Luminosa pelo Parque do Peão.
A relação entre a fé e quem enfrenta a arena esteve entre as mensagens da missa. Dom Milton Kenan Júnior, bispo da Diocese de Barretos, destacou a devoção dos competidores. “Nossa Senhora Aparecida é a mãe de todo peão, que tem gravado no coração e na alma a materna proteção e a presença carinhosa de Nossa Senhora Aparecida”, afirmou. As orações foram dedicadas aos competidores, à realização da Festa e aos devotos presentes.
Padre Luiz Camilo Junior, sacerdote redentorista que atua no Santuário Nacional de Aparecida, também relacionou essa devoção à experiência vivida pelos competidores. “Quando eles sobem em cima do touro ou do cavalo, esperando conseguir ficar oito segundos, com certeza eles também se colocam no colo de Nossa Senhora, para que nenhuma queda possa feri-los”, disse.
Ao olhar para os 71 anos da Festa, padre Camilo lembrou que a religiosidade também acompanha a história construída no Parque. “Quantas histórias, quantas famílias já passaram por aqui, mas também quanto testemunho de fé já foi dado na arena”, afirmou.
Tradição mantida dentro do Parque
A Missa Sertaneja faz parte há mais de duas décadas da agenda religiosa da Festa. Para Luciano Tavares, de Os Independentes, realizá-la dentro do Parque permite que os trabalhadores envolvidos durante vários dias na preparação do evento também participem. “Há pessoas que estão dentro da Festa há 15, 20 dias para a montagem. Então, é um momento de estar com Deus, de celebrar a Palavra e a fé de cada um”, explica.
A escolha do Rancho do Peãozinho reforça ainda o caráter familiar da iniciativa. Reinaldo Costa, coordenador do espaço, destaca essa relação. “O Rancho do Peãozinho é o local das famílias. E trazer esse momento de oração para esse espaço é bastante importante, pois representa uma oportunidade de agradecimento e de pedidos de proteção tanto para os competidores, visitantes e turistas”, considera.
De Aparecida ao Parque do Peão
A edição de 2026 ganhou um elemento especial com a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. A imagem foi acolhida ao meio-dia na Catedral de Barretos e, por volta das 13h30, chegou ao Parque do Peão. À noite, seguiu na Procissão Luminosa, que partiu da Roseta em direção ao Rancho do Peãozinho, onde foi realizada a missa.
Segundo Padre Camilo, a peregrinação aproxima Nossa Senhora Aparecida daqueles que nem sempre conseguem chegar até o Santuário Nacional. Para Luciano Tavares, a visita também encontra um significado particular dentro da cultura do rodeio.
Fé que atravessa gerações
Entre as famílias presentes estava Jemini Daiane Conceição Brito, de 28 anos, moradora de Barretos. Acompanhada das duas filhas, ela repetiu com as crianças uma experiência que fez parte de sua própria infância. “Quando eu era do tamanho delas, a amiga da minha mãe sempre trazia tradicionalmente. Então eu preferi seguir essa vivência, passar para as minhas filhas”, conta.
Para Sandra Mônica Schmockel Barbosa, a relação com a Missa Sertaneja já dura mais de uma década. Moradora de Barretos, ela faz questão de participar a cada edição, ao lado do marido e de amigos. “Nessa celebração se lembra do aniversário da cidade e da importância de rezar pelos competidores, para que eles tenham uma boa montaria”, relata.
Em sua sexta Festa do Peão de Barretos, Cirlene Ramina, de 31 anos, deixou outras atividades para acompanhar a procissão e a missa. “Cada um chega aqui com uma história e sabe o que fez para estar aqui. Hoje, vir na procissão e na missa é um sinônimo de agradecimento”, declara.
Solidariedade também marca a noite
A iniciativa teve ainda arrecadação de alimentos não perecíveis. Para o frei Gleyson Santos Cerqueira, da comunidade Carmelita Mensageiros do Espírito Santo, a dimensão social também está ligada à manifestação de fé. “Todo esse movimento cultural tem uma abertura também para o social. É uma oportunidade onde todos se reúnem para ajudar aqueles que precisam. E a fé está junto de tudo isso”, pontua.
Segundo o irmão Glenu de Oliveira, religioso da Congregação dos Oblatos de Cristo-Sacerdote, os alimentos arrecadados serão encaminhados a instituições assistenciais de Barretos e região. “Esses alimentos vão para as casas de assistência que têm na cidade e na região. Creches, asilos, lugares assim, e também comunidades terapêuticas, que vivem de doações”, explica.




