Você já percebeu que duas pessoas podem viver a mesma situação, mas reagir de formas completamente diferentes? Enquanto uma se sente extremamente ansiosa, outra lida com tranquilidade. Enquanto uma se magoa profundamente, outra segue em frente com mais leveza. O que explica essa diferença?
No artigo anterior, falamos sobre as distorções cognitivas — formas distorcidas de interpretar a realidade que podem intensificar o sofrimento emocional. Agora, vamos dar um passo além: entender como os pensamentos influenciam diretamente aquilo que sentimos.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), desenvolvida por Aaron T. Beck, parte de um princípio fundamental: não são os acontecimentos em si que determinam nossas emoções, mas a forma como os interpretamos.
Esse modelo é conhecido como modelo cognitivo e propõe que existe uma relação direta entre pensamentos, emoções e comportamentos. Ou seja, a forma como pensamos sobre uma situação influencia como nos sentimos — e, consequentemente, como agimos.
Para tornar isso mais claro, vamos a um exemplo do cotidiano.
Imagine que você envia uma mensagem para alguém importante e não recebe resposta.
Uma possível interpretação pode ser: “Ela não gosta mais de mim.” O resultado? Ansiedade, insegurança, angústia.
Outra interpretação possível: “Ela deve estar ocupada.” O resultado? Tranquilidade, paciência.
Perceba: a situação é exatamente a mesma. O que muda é o pensamento e, consequentemente, a emoção.
Esses pensamentos que surgem de forma rápida e automática são chamados de pensamentos automáticos. Segundo a TCC, eles são influenciados por crenças mais profundas que construímos ao longo da vida, chamadas de crenças centrais.
Essas crenças funcionam como lentes pelas quais enxergamos o mundo, os outros e a nós mesmos.
Por exemplo, uma pessoa que desenvolveu a crença de “não sou suficiente” pode interpretar diversas situações neutras como rejeição ou fracasso, mesmo sem evidências reais.
O grande ponto é que, na maioria das vezes, não questionamos esses pensamentos. Eles surgem e são automaticamente aceitos como verdades.
E é exatamente aí que o sofrimento emocional se fortalece.
Muitas vezes, não estamos reagindo à realidade, mas à interpretação que criamos sobre ela. Quando esses padrões se repetem, podem contribuir para ansiedade, insegurança, tristeza e dificuldades nos relacionamentos.
A boa notícia é que pensamentos não são fatos. Na terapia, trabalhamos justamente nesse ponto: identificar, compreender e modificar esses padrões, tornando-os mais realistas e funcionais. Isso não significa pensar positivo o tempo todo, mas sim desenvolver um olhar mais equilibrado e consciente sobre as situações.
Quando você muda a forma como pensa, suas emoções também começam a mudar. E, aos poucos, sua forma de agir e viver acompanha esse movimento.
Cuidar da saúde mental também é aprender a observar sua própria mente com mais atenção, menos julgamento e mais consciência.
Porque, no fim das contas, nem tudo que você pensa… é verdade.
“Você não precisa acreditar em tudo que sua mente diz.”
Patrícia Pires de Matos
Psicóloga Organizacional Cognitivo-Comportamental

