Uma investigação iniciada em Barretos levou a Polícia Civil do Estado de São Paulo a identificar uma associação criminosa suspeita de atuar em diferentes regiões do país com o chamado “Golpe do Falso Advogado”. A operação foi deflagrada nesta terça-feira (11) pela Central de Polícia Judiciária de Barretos, com apoio do GOE Barretos, GER e Divisão de Capturas da Capital.
Batizada de “Operação Apate”, a ação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão domiciliar. As ordens judiciais foram cumpridas em endereços vinculados aos investigados na região de Itaquera, na cidade de São Paulo.
Durante a operação, três integrantes da associação criminosa foram presos. Os suspeitos, quatro homens e uma mulher identificados ao longo da investigação, têm entre 23 e 25 anos. Dois investigados permanecem foragidos.
Investigação começou em Barretos
O trabalho investigativo teve início após uma vítima de Barretos registrar ocorrência relatando ter sofrido prejuízo financeiro em um golpe praticado por criminosos que se passaram por advogados.
A partir da denúncia, policiais da Central de Polícia Judiciária de Barretos iniciaram as diligências. Após aproximadamente seis meses de investigação, foram reunidos elementos que apontaram para a existência de uma associação criminosa estruturada e especializada na prática de fraudes eletrônicas.
A atuação da Polícia Civil de Barretos foi fundamental para identificar os suspeitos e reunir informações que subsidiaram a representação pelas medidas judiciais cumpridas na capital paulista.
Criminosos utilizavam falsa identidade de advogados
Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens, chamadas de vídeo, compartilhamento de tela e materiais contendo símbolos e referências ao Poder Judiciário para criar uma aparência de legitimidade durante as abordagens.
Os integrantes do grupo se apresentavam como advogados, representantes de escritórios de advocacia ou integrantes de supostos setores responsáveis pela liberação de valores judiciais.
As vítimas eram informadas sobre a existência de supostos valores disponíveis para recebimento e, posteriormente, induzidas a realizar pagamentos ou fornecer informações pessoais e bancárias.
A investigação identificou ainda o uso, sem autorização, de imagens e dados de profissionais da advocacia, além de consultas ilícitas a informações processuais e pessoais. Os recursos eram utilizados para aumentar a credibilidade das abordagens.
Três presos na região de Itaquera
As equipes policiais se deslocaram até a região de Itaquera, na zona leste da capital paulista, onde foram cumpridos os mandados expedidos pela Justiça.
No local das diligências, três investigados foram localizados e presos preventivamente. Outros dois alvos da operação não foram encontrados e permanecem foragidos.
Também foram realizadas buscas para apreender aparelhos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento digital, documentos e outros materiais que possam contribuir para o avanço da investigação.
O material apreendido será analisado pela Polícia Civil para identificar novas vítimas, dimensionar os prejuízos provocados pelo grupo e esclarecer a extensão da atuação da associação criminosa.
Indícios apontam para outras vítimas
Durante os seis meses de investigação, os policiais identificaram indícios de que os investigados podem estar envolvidos em outras fraudes eletrônicas.
Também foram encontradas conexões com ocorrências registradas em unidades policiais de diferentes municípios brasileiros. Essas informações continuam sendo apuradas pela Polícia Civil.
Entre os elementos reunidos estão registros de contatos com vítimas, pesquisas relacionadas a advogados de diferentes Estados, utilização de plataformas de mensagens e ferramentas voltadas à obtenção de dados pessoais e processuais.
Barretos no centro da investigação
A operação destaca o trabalho investigativo realizado pela Polícia Civil de Barretos, que, a partir de uma ocorrência registrada no município, conseguiu avançar na identificação de uma estrutura criminosa com possível atuação em diferentes localidades.
A investigação conduzida pela Central de Polícia Judiciária de Barretos, com apoio de unidades especializadas, resultou na obtenção das medidas judiciais que permitiram a ação realizada nesta terça-feira na capital paulista.
O nome da operação, Apate, faz referência à figura da mitologia grega associada ao engano, à fraude, à dissimulação e ao ardil, em alusão ao método utilizado pelos investigados para induzir as vítimas ao erro e obter vantagens financeiras de forma ilícita.
A Polícia Civil prossegue com a análise do material apreendido e com as investigações para identificar outras possíveis vítimas, delimitar os prejuízos causados e esclarecer integralmente a atuação dos envolvidos.

