Genéricos completam 27 anos no Brasil: segurança, economia e alcance no SUS

No início do século XXI, muitos brasileiros desconfiavam dos medicamentos genéricos, achavam que eram de “qualidade inferior”. Porém, mais de duas décadas depois, essa dúvida foi superada pela ciência e pelo uso em larga escala. Hoje, os genéricos são amplamente reconhecidos como seguros, eficazes e essenciais para o bolso das famílias e para a sustentabilidade do sistema de saúde.

O Laboratório Teuto, uma das primeiras indústrias a ter licença para produzir genéricos no Brasil, logo após a aprovação da lei em 1999, abriu caminho para o acesso democrático a tratamentos de qualidade. Ao longo destes 27 anos, a empresa expandiu sua atuação e se transformou em uma solução completa em saúde, com portfólio que inclui biossimilares, cosméticos, medicamentos referência, produtos para a saúde, similares, medicamentos isentos de prescrição (MIP’s) e suplementos alimentares.

Os genéricos, que surgiram nos Estados Unidos na década de 1980, vieram com um duplo propósito: garantir que diferentes versões de um mesmo medicamento tivessem qualidade e efeito equivalentes, e ampliar o acesso da população a tratamentos seguros. De acordo com Magali Tamas, farmacêutica e supervisora de treinamentos do Laboratório Teuto, esses produtos passam por rigorosos testes que comprovam sua igualdade de composição — o que é chamado de equivalência farmacêutica — e de comportamento dentro do corpo humano — a bioequivalência farmacêutica — em relação ao medicamento de referência.

A diferença de preço, que por lei deve ser de no mínimo 35% abaixo do referência, nada tem a ver com qualidade inferior. “Ela decorre da história de desenvolvimento de cada medicamento. Enquanto o referência teve anos de pesquisa desde a descoberta da molécula, o genérico se beneficia desse conhecimento prévio, o que torna seu processo mais rápido e menos oneroso”, afirma a farmacêutica.

Para quem depende de tratamentos contínuos como diabetes, hipertensão, colesterol alto e glaucoma, os genéricos são um alívio financeiro real. Muitas dessas condições afetam pessoas de maior idade, que por vezes convivem com mais de uma doença ao mesmo tempo e têm na aposentadoria sua principal fonte de renda.

“Na prática das drogarias, a diferença de preço entre o genérico e o referência costuma ser bem maior do que os 35% obrigatórios por lei. Isso faz toda a diferença no orçamento de uma família que precisa comprar vários medicamentos todos os meses”, diz Magali. “O genérico é fundamental para equilibrar a vida financeira dessas famílias e possibilitar a continuidade dos tratamentos”, reforça.

Além disso, ela destaca o impacto positivo na economia do país: “Os genéricos estimularam o investimento e o crescimento das indústrias nacionais, gerando milhares de empregos diretos e indiretos, o que contribui para melhorar o poder aquisitivo das famílias.” De acordo com a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (ALANAC), de cada 10 medicamentos vendidos no país, 8 são fabricados por empresas nacionais.

O papel dos genéricos no SUS

A aquisição de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) representa um gasto significativo, mas absolutamente necessário para garantir o tratamento correto das doenças e evitar complicações mais graves. Nesse contexto, os genéricos se tornam uma ferramenta estratégica.

“Ao substituir o medicamento de referência pelo genérico, o SUS consegue cumprir sua missão de levar a solução completa ao paciente — diagnóstico mais medicamento — por um valor muito menor”, explica Magali. “Isso possibilita investir a diferença em outras frentes de atendimento, ampliando o alcance do sistema.”

Para Magali, o impacto dos genéricos na sustentabilidade do sistema de saúde como um todo é imenso. “Ao garantir o acesso a medicamentos de qualidade com preços muito menores, o genérico contribui para a manutenção da saúde, evita complicações que comprometeriam a qualidade de vida e a produtividade do paciente, e diminui a necessidade de procedimentos mais complexos e caros”, afirma.

Com um quarto de século de história, os genéricos já provaram seu valor. E a trajetória do Laboratório Teuto — de pioneiro em 1999 a protagonista de um ecossistema completo de saúde — mostra como o setor privado, quando aliado ao interesse público, pode transformar a vida de milhões de brasileiros.