A Prefeitura da Estância Turística de Barretos, por meio da Secretaria Municipal de Cultura & Economia Criativa e com apoio de uma série de organizações, realizará a partir desta sexta-feira, 7, até 14 de novembro a 1ª edição do Fórum da Consciência Negra, com o tema Vivências Culturais Negras. Ao longo desses dias, haverá uma série de atividades em diferentes pontos de Barretos. Ainda em novembro, entre os dias 18 e 29, serão desenvolvidas outras atividades relacionadas a educação antirracista, racismo e inclusão, saberes negros, cultura e mídia e representatividade e vozes negras, completando a programação do mês da Consciência Negra.
Composta por rodas de conversa, exposições, peças teatrais, palestras, cine debate, rodas de capoeira, apresentações musicais, entre outras atividades, a programação completa do fórum, que está disponível no site e nas redes sociais da Prefeitura e da Secretaria de Cultura, foi anunciada na tarde de segunda-feira, 3, no Museu Histórico, Artístico e Folclórico Ruy Menezes. O vice-prefeito Mussa Calil Neto participou da solenidade de anúncio da programação e destacou a resistência histórica do povo negro. “Esse fórum nasce da urgência de reconhecer e valorizar o legado histórico, social e cultural do povo negro aqui em Barretos”, ressaltou.
O secretário Bruno Bernar convidou toda a população de Barretos e da região para participar e destacou que as atividades serão realizadas de forma descentralizada. “Para ficar mais perto das pessoas, para as pessoas conseguirem chegar a locais onde a gente esteja debatendo os temas”, ressaltou.
Bruno falou sobre a importância desse evento e lembrou dos impactos de pessoas negras terem sido retiradas à força da sua terra de origem. “Houve a segregação, uma coisa horrível. É de extrema importância valorizarmos aqueles que nos antecederam, o quanto já fizeram por nós. Se hoje estou secretário representando o povo negro é porque pessoas lá atrás romperam barreiras”, afirmou. Ele agradeceu ao chefe de gabinete da pasta, Rafael Ferreira, e a toda a equipe da Cultura e demais pessoas e instituições que contribuíram para que essa programação fosse desenvolvida.
Representando as mulheres negras de Barretos, a professora e psicóloga Maria Luísa Ferreira também compôs a mesa na solenidade e destacou que será uma honra poder contribuir no fórum para que – apesar de a seus pais não ter sido possibilitado esse acesso – as próximas gerações saibam mais sobre a própria história. “Desafios existem para todos, mas o desafio da mulher negra é diferenciado. Tenho muito orgulho de ser preta, de ser filha de preto, de merendeira e de um servidor público que era coletor da limpeza pública, então minha geração já transcendeu. Quando nós não sabemos nossa história não conseguimos identificar e é muito mais fácil manobrar um povo sem história. Acho que o grande resgate é histórico, é cultural. Todos nós temos descendência, o Brasil é um país maravilhoso, a população preta veio construir este país, estamos aqui, continuamos e queremos sim fazer parte”, ressaltou.
A programação conta com apoio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP) e do Departamento de Música e do Núcleo de Pesquisa, em Ciências da Performance em Música dessa faculdade; da Facisb e do Núcleo de Direitos Humanos e Diversidade (NDHD) dessa faculdade; e ainda da Universidade de Brasília (UnB), Sebrae Barretos, Senac Barretos, CNPq, Grêmio Gaviões Dourados, Associação Comercial e Industrial de Barretos (ACIB), Clube Estrela D’Oriente, Associação Paulista dos Amigos da Arte (Apaa), Conselho Municipal de Igualdade Racial (Comir), EPTV, OAB Barretos, Instituto Mark’s e Gecal.
Conta, ainda, dentro da Prefeitura, com apoio do Teatro Cine Barretos, Centro Municipal de Artes (Cemart), Orquestra Sinfônica Municipal de Barretos (OSMB); Secretaria Municipal de Assistência Social de Desenvolvimento Humano e Secretaria Municipal de Educação, com discussões sobre a temática com os alunos em todas as unidades escolares da rede municipal.
Nesta terça-feira, 4, foram realizadas duas atividades que antecedem o fórum. Uma roda de conversa com o tema “círculo de saberes e vivências: constituindo o compromisso coletivo pela equidade racial” foi desenvolvida com o grupo de famílias no CRAS 2 e, voltado para professores, na Educação foi abordado o tema “diálogos educativos, enfrentamento ao racismo e a valorização dos saberes plurais na escola”. No primeiro dia do fórum, na sexta-feira, 7, estão previstas atividades diurnas na Secretaria Municipal de Cultura, no Senac, no Teatro Cine Barretos e na Escola Estadual Aymoré do Brasil.

