Barretos se une em Ato de Repúdio ao Feminicídio e clama por justiça para Deise Batista

Em uma manhã marcada por profunda emoção e indignação, autoridades da Estância Turística de Barretos, munícipes e familiares reuniram-se nesta segunda-feira (27) para um Ato de Repúdio ao Feminicídio. O manifesto ocorreu na Praça Poeta Nidoval Reis (Praça da Primavera) em memória de Deise Batista, de 33 anos, que faleceu no último dia 21 após ter 92% do corpo queimado pelo ex-companheiro.

O vice-prefeito, Mussa Calil Neto, manifestou-se com profunda indignação, afirmando que o “não” é absoluto e deve ser respeitado em qualquer circunstância. “O não é não e tem que ser respeitado. A Deise não é simplesmente uma pessoa que passou por aqui e se foi por um ato de covardia e desrespeito; este ato é para que ela nunca seja esquecida”, disse.

A secretária municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano, Juliana Adão, ressaltou a força do coletivo feminino, enviando um recado claro sobre a importância da união das mulheres. “Nós estamos aqui hoje, motivadas por esse ato tão violento, para dar um basta, para mostrar para toda a nossa sociedade que nós vamos nos unir, que nós vamos gritar todas as vezes que for preciso. Se os homens não nos respeitam quando estamos sozinhas, que eles tenham medo da gente quando estivermos juntas”, afirmou.

A irmã da vítima, Denise Batista, relatou o sofrimento familiar, afirmando que a crueldade do ato foi devastadora para todos que acompanharam os últimos dias de Deise. “Pedimos ajuda, não deixem isso ficar impune! Vamos lutar por justiça pela Deise, porque ela não merecia isso, nenhuma mulher merece. Eu fiquei com a minha irmã até o último momento dela”, contou.

A vereadora Danúbia Alves, visivelmente emocionada por sua amizade pessoal com a vítima, fez um apelo direto aos seus colegas parlamentares para que o nome de Deise Batista não seja esquecido. “A Deise foi minha amiga, ajudou a cuidar da minha filha. É uma dor que a gente não espera. Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém, mas principalmente do jeito que tiraram a vida dela. Peço aos meus amigos vereadores que aqui estão, que não deixemos morrer o nome da Deise. Que não a deixemos ser esquecida”, afirmou.

O presidente da Câmara Municipal, Luis Paulo Vieira (Lupa), falando em representação ao Poder Legislativo, destacou a importância das informações discutidas no manifesto serem repassadas para toda a sociedade. “É importante a gente não só participar desse ato, mas fazer prosperar as informações e, principalmente, levar para dentro de casa, para nossos filhos”, reforçou.

O presidente da OAB Barretos, Belizário Rosa Leite Neto, expressou sua convicção de que Deise será lembrada não apenas pela tragédia, mas como um marco de mudança. “Eu tenho certeza que a Deise será uma pessoa lembrada por todos nós, mas também no futuro ela será aplaudida, porque é a partir de movimentos iguais a estes que nós teremos capacidade de mudar o machismo da nossa sociedade”, destacou.

Taciana Nunes, escrivã da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), destacou que o combate ao feminicídio exige enfrentar a cultura do machismo desde a base, defendendo a implementação de ações educativas com crianças como caminho para uma mudança real na sociedade. “A Deise se relacionou com o seu agressor por apenas três meses, e ele já se achava dono dela. Eles estavam separados há 30 dias, porém ele não aceitava ouvir ‘não’. Ele não aceitava que a Deise não queria mais aquele relacionamento, e ele atentou e conseguiu colocar um fim na vida dela. Nada justifica esse crime bárbaro. Nós estamos falhando na educação dos nossos meninos e meninas. O que nós precisamos é trabalhar o machismo. O que matou a Deise foi o machismo”, contou.

Rede de Proteção e Canais de Denúncia

Taciana Nunes também ressaltou a importância do uso imediato da rede de apoio de Barretos, que inclui órgãos preparados para o acolhimento e proteção:

DDM (Delegacia de Defesa da Mulher);

Casa da Mulher Paulista;

CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher);

CRAS (Centro de Referência de Assistência Social);

CONDIM (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher);

Parceria com a Defensoria Pública.

Como denunciar:

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (para denúncias anônimas e orientações).

Ligue 190: Polícia Militar (casos em que a agressão está ocorrendo no momento).

DDM: Procure a Delegacia de Defesa da Mulher para registrar ocorrências após o fato.

União Legislativa

O ato contou com a presença e apoio solidário dos vereadores Itamar Alves, Tiagão Alves, Juninho Bandeira, Raphael Silvério, Japonês das Caçambas, Marcos Mariano, Pastor Elson e Bodão, reafirmando o compromisso da Câmara de Barretos com a segurança da mulher.