Barretos recebe projeto piloto com IA que dá orientações pelo WhatsApp para o dia a dia dos pacientes com diabetes

É a primeira vez que a ferramenta, que já respondeu a mais de 5 milhões de perguntas de usuários, será usada para enviar mensagens para pacientes de uma UBS. A iniciativa experimental será realizada na unidade do bairro Los Angeles

Cerca de 20 funcionários da equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Los Angeles, na Estância Turística de Barretos, incluindo médico, profissionais de enfermagem e a agentes comunitários de Saúde (ACSs) participaram nesta quinta-feira, 26, de um treinamento conduzido pela equipe da startup Tia Bete. O médico Leonardo Scandolara Junior e o nutricionista Felipe Muller, fundadores da startup, e o nutricionista Lucas Fenerich, que atualmente também integra a equipe da Tia Bete, estiveram pessoalmente neste primeiro encontro com os profissionais da UBS, reforçando informações sobre o controle da diabetes e demonstrando situações práticas em que a Tia Bete auxilia o paciente em seu dia a dia.

Voltada especialmente para pacientes com diabetes, a Tia Bete é uma IA gratuita, que pode responder 24h pelo WhatsApp a perguntas de qualquer pessoa, já tendo respondido a mais de 5 milhões de perguntas feitas por usuários de diferentes partes do Brasil. Para entrar em contato com a Tia Bete, basta enviar mensagem para o Whats dela: (11) 98050-9019. A ferramenta apresenta instruções sobre a quantidade de carboidrato presente em determinado alimento, tira dúvidas sobre como armazenar medicamentos e, mediante o cadastramento da receita do paciente, ela orienta até a dosagem de insulina a ser aplicada conforme o alimento que a pessoa consumiu.

A partir do convite aberto realizado pela Prefeitura de Barretos, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico & Inovação com o edital Sandbox Inova Barretos, para que empresas com soluções inovadoras implantem suas ferramentas em Barretos, a equipe lança no município a primeira experiência de acompanhamento da aplicação da Tia Bete em uma UBS.

“Pessoas de qualquer parte de Barretos ou de qualquer lugar do Brasil podem usar a Tia Bete, você vai lá manda uma pergunta e ela responde. A diferença é que aqui em Barretos a gente vai ter uma Tia Bete ativa, em que ela manda mensagem educativa para o paciente e também para coletar informações, sobre como está a glicemia, perguntando se o paciente tem alguma complicação, se ele está usando medicamento corretamente”, destaca Scandolara. O fundador ressalta que as informações coletadas serão compartilhadas com a equipe da UBS e com a gestão do município, o que permitirá intervenções mais precisas da equipe de saúde da família, melhor percepção sobre estratégias a serem revistas, entre outras possibilidades.

O trabalho está previsto para ser desenvolvido de forma experimental nessa UBS pelos próximos três meses. Nesse período, serão avaliadas também ajustes pelas quais a IA pode passar para melhor atender as necessidades dos pacientes e da equipe de saúde, podendo a partir disso ser expandido para mais unidades da cidade. A UBS do Los Angeles atende atualmente a cerca de 600 paciente com diabetes.

Clélia Adriana Lopes Vianna, coordenadora do Programas de Diabetes e do Programa de Saúde da População Negra, destaca que a adesão do paciente é um passo fundamental para se alcançar melhoras nos índices de controle da doença e um desafio constante para os profissionais de saúde que atuam nessa conscientização. “Acredito que com o Tia Bete vamos abranger todos os perfis de pacientes e levá-los a perceber que não precisa de muita coisa, que qualquer dúvida que eles tiverem será respondida de uma forma mais simples do que imaginam”, ressalta.

A equipe que passou pelo treinamento se demonstrou entusiasmada com a ferramenta após notar a maneira prática como ela responde perguntas feitas de forma simples. Verônica Magalhães Faustino, coordenadora de enfermagem na UBS Los Angeles, vê como positivo o fato de a Tia Bete responder aos paciente pelo WhatsApp. “O acesso do paciente com facilidade à ferramenta foi o maior atrativo para nós. No dia a dia, percebemos que quando ligamos para um paciente ele não atende, mas a mensagem no Whats ele responde. E a Tia Bete vai estar em contato com ele justamente pelo Whats, sem também precisar baixar outro aplicativo, nada disso”, pontua

Verônica destaca que há pouco mais de um ano a equipe da unidade vem reforçando as ações relacionadas à diabetes, a partir da percepção de que os índices de melhora relacionados a doença estavam estagnados. Ela destaca que foi então fornecido um livreto de acompanhamento para os pacientes insulinodependentes e ampliadas as visitas nas residências para conferir o como os pacientes estavam armazenando a insulina. “Com o apoio de alunos da Facisb, desenvolvemos panfletos e fomos às escolas para incentivarmos uma alimentação mais saudável, temos também uma médica e uma farmacêutica na unidade com trabalhos acadêmicos relacionados a diabetes”, afirma. A enfermeira reforça que nesse período melhoras já foram notas, inclusive com pacientes que deixaram de ter a necessidade de usar a insulina e agora estão estabilizados com a medicação por via oral. A expectativa é que com a Tia Bete em ação os índices relacionados a diabetes na unidade melhorem ainda mais.