Sensei Tiago Leal representa Barretos no Mundial de Judô em Paris e alcança 9º lugar entre os melhores do mundo

O barretense Tiago Leal, Sensei e professor de Judô, viveu uma das experiências mais intensas e desafiadoras de sua carreira ao competir no Campeonato Mundial de Judô, realizado em Paris. A participação inédita marcou não apenas sua trajetória esportiva, mas também reafirmou a força de um atleta que representa o interior paulista em um dos palcos mais respeitados da modalidade.

Para chegar ao Mundial, Tiago encarou uma preparação extremamente rigorosa. Foram mais de dois meses longe de casa, dedicados exclusivamente aos treinos. Passou por shôtyugeikos, kangueikos e longos períodos de aperfeiçoamento técnico em São Paulo e São Bernardo. “Abdiquei de família, conforto e rotina — em muitos dias, o tatame foi a minha cama”, relata.

No Mundial, Tiago entrou em uma chave com 58 judocas de alto rendimento, vindos de diversos países. Para alcançar o pódio, seriam necessárias sete lutas e ao menos seis vitórias. “Cheguei fisicamente preparado, mas mentalmente me fragilizei. Em alguns momentos, pensamentos como ‘um cara de uma cidade pequena não tem como enfrentar atletas de grandes centros’ invadiram a minha cabeça. Isso pesou”, conta.

Apesar das dificuldades psicológicas, o professor conquistou três vitórias expressivas: uma contra um atleta de Angola e duas diante de judocas franceses. “Ainda assim, a segurança não veio”, comenta.

Nas quartas de final, enfrentou o atleta do Cazaquistão, que mais tarde seria vice-campeão mundial. O combate terminou empatado em 0 a 0 e foi decidido nas penalidades. “Faltou estratégia, e ele soube usar a regra a seu favor”, analisa Tiago.

Na disputa seguinte, contra um judoca da Bélgica, começou dominando a luta, aplicou um kata-guruma e marcou wazari. Mas o psicológico novamente pesou. “O medo de perder superou a vontade de ganhar”, afirma. O belga virou a luta no último minuto, deixando Tiago na 9ª colocação do Mundial, na Classe M4 (45–49 anos), categoria Médio (-90 kg).

Embora tenha deixado Paris triste por não conseguir impor seu judô, hoje Tiago vê sua participação com orgulho.
“Com a cabeça mais tranquila, consigo enxergar algo maior: um cara do interior, de um país cheio de desafios, esteve no Mundial entre os melhores do planeta — e ficou entre os nove primeiros.”

O atleta agradece aos familiares, amigos, alunos e aos patrocinadores que acreditaram no projeto e tornaram sua presença no Mundial possível.